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Doar órgãos é um ato de generosidade

Data: 06/12/2017
Doar órgãos é um ato de generosidade

Doação de órgãos: quantas vidas podem ser salvas?

 

Doar órgãos é acima de tudo um gesto tão nobre quanto o de salvar vidas. Uma única pessoa quando decide ser um doador de órgãos pode salvar até 10 pessoas. A doação de órgãos só pode acontecer após a constatação de Morte Encefálica - ME (quando não há mais função neurológica). A constatação é realizada por especialistas e exames.

“ME é uma morte diferente, uma morte onde o coração continua batendo, mas como se trata de morte é irreversível. Assim, por ser especial, é possível que a pessoa possa ajudar outras que necessitam de transplante. É uma oportunidade de, em um momento difícil, ajudar outros que precisam. O procedimento é feito seguindo regras criteriosas e a realização de diversos exames. Todo processo é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina em resolução específica para tal fim. Neste sentido, essa resolução deve ser seguida para que se comprove a ME. Um exame comprovatório também é realizado para constatar efetivamente a ME”, explica doutor Felipe Dal Pizol, médico coordenador da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos (CIHDOTT).

 

Como é feita a captação de órgãos?

 

O Hospital São José, desde 2001, possui uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e tecidos para transplantes. O grupo é composto por uma equipe que além de participar de todos procedimentos de captação tem a responsabilidade de esclarecer as dúvidas dos familiares, referente a morte encefálica constatada e alertar que seu ente querido pode ser um doador de órgãos. A Comissão é composta por três médicos, uma psicóloga e oito enfermeiros. Todos os órgãos doados passam por uma análise criteriosa para, então, acontecer a efetivação da doação. Os dados são enviados à Central de Captação, que funciona em Florianópolis. De lá, é feita a distribuição dos órgãos para quem está na fila de espera.

Somente no ano de 2017 foram realizadas 13 captações de órgãos pelo Hospital São José. O número superou a expectativa da Comissão e foi ainda maior do que o registrado em 2016, quando a quantidade de captações também foi expressiva - 11 ao todo. “Os números alcançados mostram que o nosso trabalho tem dado certo. Saber que as pessoas que morreram puderam dar vida e alegria a outros pacientes nos motiva todos os dias. Nossa intenção é que as pessoas esclareçam suas dúvidas quanto à doação. Um sim dos familiares significa vida”, enfatiza a enfermeira Daniela Luiz Rocha, coordenadora da Comissão.

“Este resultado só é possível quando temos uma equipe engajada e comprometida pela causa, o processo é extremamente doloroso para aquele que perde seu ente querido, que através dá dor, coloca alegria de uma nova vida em pessoas que nem sabem quem são. Somos um povo generoso e quem tem está atitude de doar os órgãos é tocado por este grande amor que é ajudar o próximo”, aponta a enfermeira Daniela.

 

Mais de 500 anos de doação de órgãos

 

A prática da doação de órgãos é um procedimento de muitos anos, acontecendo desde o século XV. No Brasil o primeiro transplante realizado foi o de córneas, em 1954. A técnica foi sendo aperfeiçoada ao longo dos anos e, hoje, pode-se dizer que a captação, bem como o transplante de órgãos, já é um grande avanço da medicina. Sem mencionar que a tecnologia tornou-se uma grande aliada para os procedimentos.

A prática do transplante de órgãos e tecidos no Brasil é baseada em leis. A de número 9.434, de 1997, que regulamenta o uso de partes do corpo humano, tecidos e órgãos de pessoas que foram a óbito a serem destinados a transplantes ou tratamento. Para que alguém seja um doador de órgãos é preciso comunicar seus familiares, pois a decisão passa a ser da família do paciente quando acontece a morte encefálica.

 

Abordagem familiar e esclarecimentos

 

Quando surge um possível doador, a abordagem aos familiares é um dos momentos mais delicados. Após os parentes receberem a notícia de que a pessoa querida teve morte encefálica/cerebral, uma enfermeira altamente qualificada, que faz parte da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos, começa a atuar. Em uma conversa clara, objetiva e delicada, é preciso explicar o processo de doação. Em uma sala totalmente preparada para receber os familiares, a responsável faz a abordagem, apontando a possibilidade da doação e o bem que poderá ser feito a outras pessoas.

A maioria preocupa-se com o corpo do familiar que veio a óbito, se haverá mudanças ou não e se o processo vai ser demorado. “Percebo que a falta de esclarecimento em relação a este assunto ainda é muito grande. Uma pessoa pode salvar até dez vidas com os órgãos doados e isso é muito significativo”, afirma a assistente social Andréia, responsável por conversar com os familiares.

 

Quem pode ser um doador?

 

Qualquer pessoa pode se tornar um doador de órgãos. Em vida é possível doar rins, parte do fígado, da medula óssea ou pulmão. No caso de doadores falecidos, com a constatação de morte encefálica, é possível doar fígado, rins, pâncreas, córnea, coração e até pele.

Em 2017 o Hospital São José registrou 36 protocolos de morte encefálica. Destes, foram realizadas 13 captações múltiplas órgãos. Santa Catarina ocupa, em 2017, o nono lugar no ranking de Estados com o maior número de captações de múltiplos órgãos.

Dados do Ministério da Saúde apontam que em 2016, o Brasil conseguiu registrar o maior número de doadores efetivos da história. Foram notificados 2.983 doadores, o que representa uma taxa de 14,6 por milhão da população , um aumento de 5% comparado ao ano anterior (2015). Além disso, registrou-se um crescimento de 103% no número de potenciais doadores entre 2010 e 2016, passando de 4.997 para 10.158.

Avise sua família sobre sua intenção de se tornar um doador de órgãos. Seu gesto pode salvar vidas.